domingo, 2 de novembro de 2025

Palavras

 

Palavras

Escrevo como quem prepara o chão

Para a semeadura do trigo.

Palavras que sejam colo e também abrigo

E que se multipliquem como o milagre do pão.

Palavras cristalinas como o oceano

Das praias de areia fina.

Que permanecem na pele

Como marcas abençoadas

Do tempo que as marcou.

Palavras mansas e macias

De gentil caligrafia

Para brindar a vida

Pela sofrência de mais um dia.

Tempero de toda comunicação

Palavras fabricadas como flechas

De voo ligeiro direto ao coração.

E tem as palavras que são como colchas

Prontas para agasalhar

Em tempos frios de noites vazias,

Secas pela falta de amor.

Outras palavras as escrevo como uma prece

Que delicadamente se oferece

Como um ramalhete de rosas.

Outras são mais preciosas.

Recomendadas para ocasiões caprichosas,

De formal circunstância!

De muito luxo e pouca prosa.

Outras são arretadas,

Não medem palavras

Podem ser doces e cheias de graça,

E tem também as amargas,

Difíceis de engolir a um só gole

Como toda cachaça.

Tem também palavras políticas,

Ideológicas, metafísicas....

Outras são metalinguísticas, estapafúrdias,

Ridículas e de baixo calão.

Muitas prosaicas e sem razão....

Outras apaixonadas amam vocábulos

Escritos no calor da emoção...

Vou escrevendo-as

Em minha fabrica

Que divinamente se fabrica

E as semeando no chão

Do meu coração....

 

Sergio Monteiro (17/07/2021)

 

 

 

 

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário