Palavras
Escrevo
como quem prepara o chão
Para a
semeadura do trigo.
Palavras
que sejam colo e também abrigo
E que
se multipliquem como o milagre do pão.
Palavras
cristalinas como o oceano
Das
praias de areia fina.
Que
permanecem na pele
Como
marcas abençoadas
Do
tempo que as marcou.
Palavras
mansas e macias
De
gentil caligrafia
Para
brindar a vida
Pela sofrência
de mais um dia.
Tempero
de toda comunicação
Palavras
fabricadas como flechas
De voo
ligeiro direto ao coração.
E tem
as palavras que são como colchas
Prontas
para agasalhar
Em
tempos frios de noites vazias,
Secas
pela falta de amor.
Outras
palavras as escrevo como uma prece
Que
delicadamente se oferece
Como
um ramalhete de rosas.
Outras
são mais preciosas.
Recomendadas
para ocasiões caprichosas,
De
formal circunstância!
De
muito luxo e pouca prosa.
Outras
são arretadas,
Não medem
palavras
Podem
ser doces e cheias de graça,
E tem
também as amargas,
Difíceis
de engolir a um só gole
Como
toda cachaça.
Tem
também palavras políticas,
Ideológicas,
metafísicas....
Outras
são metalinguísticas, estapafúrdias,
Ridículas
e de baixo calão.
Muitas
prosaicas e sem razão....
Outras
apaixonadas amam vocábulos
Escritos
no calor da emoção...
Vou escrevendo-as
Em
minha fabrica
Que
divinamente se fabrica
E as
semeando no chão
Do meu
coração....
Sergio
Monteiro (17/07/2021)
Nenhum comentário:
Postar um comentário