domingo, 2 de novembro de 2025

Coisas do Cotidiano

 

Coisas do Cotidiano

 

No espectro do romper da alvorada

Uma névoa úmida da manhã levanta

Ainda fresca, ainda tímida, adormecida

Uma claridade que me arrebata a retina

Numa explosão de cores e paisagem.

E assim se manifestaram as primeiras horas

Da transitoriedade do dia que te chama pra festa.

E  entre o roncar dos motores e das buzinas frenéticas

A cidade é despertada pelo som do progresso,

Como uma engrenagem corroída do tecido social.

Floresta esculpida por mesquinha geografia,

Moldada pelo concreto, pelo aço, e mãos de compasso.

A cidade se reinventa na composição do espaço

E cresce como uma planta trepadeira em busca de sol.

Nas areias da praia levantei castelos de areia

Que a onda do mar desmanchou.

Em sonho avistei linda sereia

Que dos marinheiros e pescadores se enamorou.

O calor abrasador é um convite ao refresco,

Ao descanso na rede, a tomar água de coco.

E com os pés a beira mar eu me esqueço até do sufoco...

Que é viver num clima subtropical.

No cotidiano das batalhas me reinvento!

E para sobreviver na selva de pedra me disfarço de louco.

Os meus sonhos semeei no vento

Irrigados com as águas do mar.

A brisa marinha conhece os meus segredos,

Entende os meus íntimos medos

E orienta a direção do meu navegar.

E agora que o sol deita sua majestade

E os pássaros recolhem o seu voo de liberdade,

A lua vem cobrir de estrelas os recantos sombrios.

E os faróis dos automóveis acendem a cidade

Que sai em busca de alguma felicidade.

E no noticiário do jornal tudo tão igual

A mesma desigualdade, a mesma violência, a mesma fome...

E assim acontece dia após dia...

Vivemos para esperar a próxima frente fria...

 

Sergio Monteiro Cardoso (23/01/2022)

 

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