Coisas
do Cotidiano
No
espectro do romper da alvorada
Uma
névoa úmida da manhã levanta
Ainda
fresca, ainda tímida, adormecida
Uma
claridade que me arrebata a retina
Numa
explosão de cores e paisagem.
E
assim se manifestaram as primeiras horas
Da
transitoriedade do dia que te chama pra festa.
E entre o roncar dos motores e das buzinas
frenéticas
A
cidade é despertada pelo som do progresso,
Como
uma engrenagem corroída do tecido social.
Floresta
esculpida por mesquinha geografia,
Moldada
pelo concreto, pelo aço, e mãos de compasso.
A
cidade se reinventa na composição do espaço
E
cresce como uma planta trepadeira em busca de sol.
Nas
areias da praia levantei castelos de areia
Que a
onda do mar desmanchou.
Em
sonho avistei linda sereia
Que
dos marinheiros e pescadores se enamorou.
O
calor abrasador é um convite ao refresco,
Ao
descanso na rede, a tomar água de coco.
E com
os pés a beira mar eu me esqueço até do sufoco...
Que é
viver num clima subtropical.
No
cotidiano das batalhas me reinvento!
E para
sobreviver na selva de pedra me disfarço de louco.
Os
meus sonhos semeei no vento
Irrigados
com as águas do mar.
A
brisa marinha conhece os meus segredos,
Entende
os meus íntimos medos
E
orienta a direção do meu navegar.
E
agora que o sol deita sua majestade
E os
pássaros recolhem o seu voo de liberdade,
A lua
vem cobrir de estrelas os recantos sombrios.
E os
faróis dos automóveis acendem a cidade
Que
sai em busca de alguma felicidade.
E no
noticiário do jornal tudo tão igual
A
mesma desigualdade, a mesma violência, a mesma fome...
E
assim acontece dia após dia...
Vivemos
para esperar a próxima frente fria...
Sergio
Monteiro Cardoso (23/01/2022)
Nenhum comentário:
Postar um comentário