domingo, 2 de novembro de 2025

A Morte e a Passagem

 

A morte abre os seus roçados.

Profundos de dor!

Largos de saudade!

Salga a terra de lágrimas,

Bebe o pranto do luto

Das Marias e Alices.

Desconhece fronteiras,

Territórios e bandeiras.

A morte é o fruto

Que se colhe maduro

Para a viagem

Que se vai fazer.

Ponte que liga os mundos

Do que se vê

Ao que se sente.

Pois o que se vê tem carne,

Sangue e dor....

E o que se sente é espírito,

Compaixão e amor...

E se tem carne é finito

Que se desfaz em pó

Na mansão do infinito.

A morte agasalha o corpo

Na morada fria

Que será o alimento

Para a terra vazia.

A morte te recebe

E da passagem

Para a tua eterna viagem.

Que começaste no nascimento

E que terminas num sopro

Teu último lamento.

Enfim estás liberto!

Plenamente livre

Dessa roupa que te veste.

A morte é o caminho

Dessa nova jornada.

A morte é a verdade

Que procuraste em vida.

Não há que tinhas

Portadora de ilusão.

Mas há que conheces agora

Cheia de glória,

Cheia de luz,

Ciência e razão.

A morte abre os seus roçados

Em grandes plantações.

Te recebe como semente,

Para te fazer árvore,

Para te fazer gente,

Novamente....

Geração que vem

Debaixo de sol clemente.

Conhecer o vento norte,

Conhecer o vento sul

E os seus circuitos.

Pois nada é novo sobre a terra.

E o que foi

Há de voltar a ser....

 

 

 

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