Carne
Negra
Novamente
a sanha se arrebata sobre a carne negra.
E
a covardia foi eleita como regra.
A
história vai repetindo o mesmo enredo
Que
mancha de sangue o chão da favela.
Vidas
sopradas como velas
Deixam
uma herança de pranto, raiva e medo.
O
que esperar de um país que massacra sem dó
Quem
na terra semeou cultura e riqueza.
E
entoa um lamento de dor,
Retumbante
como o tambor,
Todo
o seu protesto e sua tristeza.
Será
que um dia vai deixar de ser notícia?
E
o sonho sair dos livros de história?
E
a cor da pele não mais ser um caso de polícia?
Será
que um dia haverá alforria
Do
preconceito que escraviza
Quem
tem na pele a luz da noite
E
traz na alma a dor do açoite
E
a força da fé nos orixás.
Talvez
um dia, um meio dia
Possa
haver empatia
No
coração do cristão
Que
comunga a eucaristia
E
a hóstia consagrada
Não
lhe cause indigestão.
Talvez
amanhã a gente inventa um Brasil
E
nele caiba muitas Bahias, muitas Angolas
E
o Congo possa ensinar a Europa
Que
a África é a mãe do mundo
E
todos levam consigo o seu sangue,
O
seu gene por herança...
Sergio
Monteiro Cardoso (10/02/2022)
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