domingo, 2 de novembro de 2025

Carne Negra

 

Carne Negra

Novamente a sanha se arrebata sobre a carne negra.

E a covardia foi eleita como regra.

A história vai repetindo o mesmo enredo

Que mancha de sangue o chão da favela.

Vidas sopradas como velas

Deixam uma herança de pranto, raiva e medo.

O que esperar de um país que massacra sem dó

Quem na terra semeou cultura e riqueza.

E entoa um lamento de dor,

Retumbante como o tambor,

Todo o seu protesto e sua tristeza.

Será que um dia vai deixar de ser notícia?

E o sonho sair dos livros de história?

E a cor da pele não mais ser um caso de polícia?

Será que um dia haverá alforria

Do preconceito que escraviza

Quem tem na pele a luz da noite

E traz na alma a dor do açoite

E a força da fé nos orixás.

Talvez um dia, um meio dia

Possa haver empatia

No coração do cristão

Que comunga a eucaristia

E a hóstia consagrada

Não lhe cause indigestão.

Talvez amanhã a gente inventa um Brasil

E nele caiba muitas Bahias, muitas Angolas

E o Congo possa ensinar a Europa

Que a África é a mãe do mundo

E todos levam consigo o seu sangue,

O seu gene por herança...

 

Sergio Monteiro Cardoso (10/02/2022)

 

 

 

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