domingo, 2 de novembro de 2025

Líquido

 

Líquido

 

Sou como o líquido que se molda ao frasco,

Adaptando-me a cada curva e espaço.

Fluindo, moldando, me transformando,

Em cada experiência eu me refaço.

 

Um reflexo do que me cerca e me toca,

Em constante movimento, como a água.

Transparente e profundo, e leve e doce,

A vida me molda, verso a verso.

 

Em cada frasco, uma nova história,

Um novo tempo, uma nova glória.

A forma muda, mas a essência transcende.

Em cada mudança, a alma renasce.

 

Sou a água que flui, a cera que se molda,

A vida que se adapta, que se envolve.

Em cada instante, uma nova descoberta,

Sou o líquido que se transforma em alerta.

 

Sou o líquido que se molda ao frasco,

Refletindo o mundo em cada novo passo.

Um espelho da vida, mutável e vasto,

Em constante fluxo, como um rio que se arrasta.

 

Mas sou mais que a água, sou o mar profundo,

Onde as emoções se misturam, absorvendo o mundo.

Sou a tempestade, o calmo, o sereno,

Um universo interior, em movimento eterno.

 

E como a névoa, me dissipo no ar,

Deixando um rastro tênue, uma marca a demarcar.

Sou a areia que o vento molda e leva,

Um ser efêmero, que a vida preserva.

 

Sou a chama que dança, o fogo que consome,

A força que impulsiona, que promove.

Sou a sombra que acompanha, a luz que ilumina,

A dualidade da vida, que me define.

 

Sou o líquido que se molda ao frasco, decerto,

Mas sou também o frasco que contém o universo.

Em cada forma, uma nova descoberta,

A fluidez da existência, minha maior herança.

 

Sergio Monteiro Cardoso (23/01/2025)

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