Filho do Tempo
Eu sou
como estou.
E nem
sempre fui como sou.
Esta
pele que me veste.
Esse
corpo que se move.
Essa
pessoa, esse nome.
Essa
sombra que me segue.
Sou
página de um livro aberto
Desfolhado
pelo vento.
A
pedra que sustenta
As
paredes do convento.
O ar
que se espalha
Nas
névoas do infinito.
A hora
derradeira
Que é
alegria da chegada
E
saudade na partida.
Eu sou
o ontem e o hoje.
O elo
dessa viagem.
Nas
terras do Egito irriguei os campos,
Colhi
o trigo e fiz o pão,
Ergui
templos e pirâmides.
E
sofri nas minas escuras,
Da
cobiçada Babilônia,
Do
vaidoso Alexandre.
E na
Roma de Nero rezei com fé.
E nas
catacumbas me escondi.
Eu já
fui padre, já fui monge,
Fui
majestade e serviçal.
Lancei
semente na terra
E
alimentei o faminto.
E
construí os palácios
Da
Europa Medieval.
E na
África me roubaram a liberdade.
E na
América os meus filhos
Se
chamaram revolução.
Eu sou
a história de outras vidas
Que
vieram antes de mim.
Eu sou
a estrada
Que
atravessa o vale
E
mostra a direção.
Eu sou
o que foi,
O que
é,
E o
que será.
Eu
estava no começo e estarei no final
Eu sou
o que sou
Por
que me fizeram assim.
Minha
alma é feita de vidas
Machucadas
e feridas.
Muitas
vezes eu nasci e também renasci
E
continuo nesse estágio
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