domingo, 2 de novembro de 2025

Florestas de Liberdade

 

Florestas de liberdade

Além das paredes manchadas de medo, resistiremos

à ocupação de nossos segredos,

a usurpação de nossos sonhos.

E esperaremos que o tempo cure nossas dores

e guarde nosso espanto,

e apague da mente nossos horrores.

E cresceremos cultivando rosas de esperança;

apesar do inverno invencível,

ainda há verão!

A palidez de nossa face evanesce no espelho

e já podemos sorrir como outrora fazíamos.

E riamos tanto que ficávamos vermelhos,

nossa felicidade era uma rebelde alegria

contra a invenção da tristeza que nos afligia.

Qual escuridão nos cegou a visão?

Qual sol nos aquecerá a alma?

E nos devolverá a calma?

Para continuarmos ensinando a lição:

De que a vida é um barco em busca do cais.

E as nossas emoções estendidas em varais

sobrevivem ao ritmo das sinfonias dos pardais.

No final dessa travessia,

 após dissipar todo medo,

Não haverá mais segredos.

Não haverá mais nada que impeça

a roseira de florir,

a semente de germinar,

a parteira de parir,

O crente de rezar.

Não haverá mais cativeiros,

nem paredes a guardar o medo.

Nem pranto, dor e espanto!

E poderemos semear na terra de nossos antepassados

Mudas de liberdade.

Para que possam florescer sobre a tirania

Novas florestas em toda parte...

 

Sergio Monteiro Cardoso (02/08/2021)

 

 

 

 

 

 

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